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Greve estudantil em Portugal. Photo: Greve Climatica Estudantil

A greve global estudantil foi o acontecimento politico mais importante do século XXI. Em cerca de 130 países, 1.3 milhões de estudantes e, também, pessoas conscientes de vários setores sociais, protagonizaram uma inedita greve global, exigindo dos dirigentes políticos mundiais medidas efetivas para solucionar a grave emergência climática que vivemos. Manifestações individuais, em pequenos grupos e, inclusive, atos massivos ocorreram em 2238 localidades do globo, segundo as informações publicadas no website Fridays For Future.

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Estudantes protestam no Rio de Janeiro. Foto: Marize Vieira de Oliveira

Esse extraordinário desejo de solução da crise climática começou a ser forjado, em agosto de 2018, quando Greta Thunberg iniciou sua greve escolar diante do parlamento suéco exigindo ações para solucionar a crise climática. Desde então, milhares de estudantes, começando pela Austrália, em novembro do ano passado, e se extendendo para um grande número de países da Europa, tem protagonizado massivas mobilizações mesmo durante o rigoroso inverno europeu.

Foi, sem dúvida, uma participação que superou todas as expectativas, principalmente, daqueles poucos ativistas que, ainda no final do ano passado, não passavam de um pequeno grupo tentando organizar um movimento global.

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Estudantes protestam no litoral paulista. Foto: Greve Pelo Futuro – Brasil

 

Na Alemanha, foram 91 mil os manifestantes; na Austrália, foram 72 mil os manifestantes; na Austria, 23 mil; na Bélgica, 53 mil; no Canadá, 157 mil; na Croácia, 12 mil; na Espanha, 20 mil; nos EUA, 13 mil; França, 200 mil; na Holanda, 50 mil; na Irlanda, 18 mil, na Itália, 367 mil; em Luxemburgo 15 mil; em Portugal, 15 mil; na Suécia, 25 mil; na Suiça, 74 mil; no Reino Unido, 26 mil. Alguns países como Cheko, Índia, Polônia, Hungria, Filipinas, Brasil, México, entre outros, também realizaram importantes protestos mas os números de participantes são parciais.

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Dr. Stefan Rahmstorf, em solidariedade aos estudentes em greve. Photo: Scientists For Future

Um aspecto relevante do protesto foi o surgimento do grupo Cientistas Pelo Futuro, que conta com ums dos mais destacados cientistas climáticos, Stefan Rahmstorf, da Alemanha que, em alguns dias, coletou cerca de 25 mil assinaturas de apoio de cientistas de vários países como Austria, Alemanha e Suiça à greve estudantil. Uma atitude que comprova a legitimidade da luta dos estudantes.

Passados vários dias desde a greve global, nenhum país declarou que tomará medidas mais efetivas para solucionar a emergência climática.

LUTAR PELA DECLARAÇÃO GLOBAL DE EMERGÊNCIA CLIMÁTICA EM 24 DE MAIO!

Em 24 de maio, será realizada a Secunda Greve Escolar Global. Certamente, cada país participante terá suas reinvindicações específicas, mas a luta pela Declaração de Emergência Climática a nível global pode ser o melhor caminho para despertar toda a população do planeta para a necessidade de medidas emergênciais. Essas medidas são emergênciais porque já vivemos tragédias impensáveis, como a destruição, dias atrás, de 90% da cidade de Beira, no Moçambique, pelo furacão Idai, que deixou, também, um número ainda desconhecido de mortos. São medidas emergênciais imediatas para não liquidar, definitivamente, o futuro dos jovens, adolescentes e crianças. Assim como todo os nossos antepassados, eles tem o direito de viver em uma planeta seguro. Um planeta não destruído pela atividade nociva do sistema social que vivemos e, também, pela falta de ações necessárias por pessoas de todos os níveis sociais.

Se, na Greve Global de 15 de março fomos capazes de levantar 130 países, redobrando os nossos esforços, poderemos levantar, na Segunda Greve Global, os cerca de 200 países do na luta pela Declaração de Emergência Climática a nível global. Se quisermos ganhar essa luta, precisaremos unir os estudantes, cientistas, artistas, professores, bombeiros, e trabalhadores de todos os ramos de atividades para o maior protesto político da história da civilização humana. Todos juntos pelo futuro!

Tomi Mori

Tokyo, 21 de março de 2018.